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Pharma InnovationDestaques Empresas & NegóciosGreenCare vai além da cannabis medicinal

GreenCare vai além da cannabis medicinal

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Projeto da companhia é oferecer também suplementos e dermocosméticos

Ao mesmo tempo em que evoluem os debates sobre a regulamentação da cannabis medicinal, um grupo de investidores brasileiros, atento à demanda crescente por produtos à base da planta, se uniu para facilitar o acesso a esses medicamento no país e trazer suplementos e dermocosméticos para o mercado local. Para executar esse plano de negócios, fundaram no ano passado a GreenCare, empresa que nasceu com a ambição de se tornar a principal fornecedora nacional no mercado de derivados de cannabis, combinando remédios e outros produtos de cuidados de saúde e consumo, como óleos e snacks.

A estratégia dos sócios Marcelo Marco Antônio, da família fundadora do Hospital São Luiz; Martim Mattos, ex-diretor financeiro da Hypera Pharma (antiga Hypermarcas); e Fábio Furtado, um dos fundadores da Grid (de serviços automotivos) foi se aproximar da comunidade médica com uma proposta similar à adotada pela indústria farmacêutica tradicional, com uma abordagem voltada principalmente à educação continuada e estímulo à demanda.

Do lado dos pacientes para os quais o tratamento foi prescrito, a GreenCare se responsabiliza por toda a burocracia junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para liberação da importação do remédio e pela logística desde seus estoques na Flórida, nos Estados Unidos, até a porta de casa no Brasil. A empresa estima responder por cerca de 30% das novas liberações concedidas pelo órgão, o que lhe garante a liderança nesse segmento.

Por enquanto, o portfólio de medicamentos, produzidos em regime de terceirização por um laboratório americano, oferece seis produtos sob a marca própria Hempflex. Há basicamente duas formulações, uma com canabidiol (CBD) isolado e outra que combina canabidiol com concentração de até 0,3% de tetrahidrocanabinol (THC), principal psicoativo da planta. São quatro indicações terapêuticas: epilepsia, dor crônica, ansiedade e autismo. Mas essa lista deve crescer até o fim do ano com a inclusão de doença de Parkinson e estresse pós-traumático.

Também até o fim do ano, o portfólio da GreenCare será ampliado em onze produtos para incluir alimentos ou suplementos e dermocosméticos. Os itens que dispensam prescrição médica serão vendidos via site. Para trazer ao país alimentos do universo da cannabis, sob a marca Happy, a empresa firmou um contrato com exclusividade no Brasil por três anos com a Manitoba Harvest, a maior do mundo nesse segmento. Os dermocosméticos também serão produzidos por um laboratório americano terceirizado e vendidos com a marca GreenCare Skin.

A equipe de representantes, formada atualmente por seis profissionais em São Paulo e dois no Rio de Janeiro, vai dobrar nos próximos meses, para estender a cobertura aos mercados do Sul e Centro-Oeste. Hoje a GreenCare tem cerca de mil pacientes e chega a mais de 1,5 mil médicos. “Estamos pulverizando a prescrição e a meta é dobrar a visitação médica”, diz Martin Mattos, que também é o principal executivo da GreenCare.

A empresa é controlada pelo fundo canadense de venture capital Greenfield Global Opportunities, constituído por Mattos, Marcelo Marco Antônio e Nelson Cury, fundador da GeneSeas, empresa de piscicultura dona da marca Saint Peter. O fundo tem uma fatia de 75% do negócio e os 25% remanescentes pertencem a Fábio Furtado, que assumiu a diretoria comercial.

Em 2018, o fundo levantou US$ 16 milhões e deve totalizar entre US$ 30 milhões a US$ 35 milhões com a segunda tranche, ainda aberta. Ao atingir o valor pretendido, conta Marco Antônio, o fundo será fechado para novos investidores, com o objetivo de evitar a diluição daqueles que foram os primeiros a apostar no negócio.

Hoje o fundo tem investimentos em 13 empresas – fatias minoritárias fora do país e majoritária dentro do Brasil -, todas relacionadas de alguma maneira ao universo da cannabis. Além da GreenCare, são investidas a Confident Cannabis (de tecnologia), Northern Swan Holdings (de cultivo e processamento) e Phylos Bioscience.

 

 

 

Fonte: Valor Econômico 17.09.19

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