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Pharma InnovationEmpresas & Negócios RadarFora da Novartis, Alcon planeja acelerar inovação

Fora da Novartis, Alcon planeja acelerar inovação

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Às 10h30 do dia 9, um grupo de 150 funcionários da Alcon no Brasil, de um total de cerca de 350, se reuniu no auditório da farmacêutica Novartis, na zona sul de São Paulo, para acompanhar em tempo real a estreia da “nova” empresa na Bolsa de Valores de Nova York. Com o início das negociações na bolsa americana e na SIX, a principal bolsa suíça, a antiga divisão de produtos oftalmológicos da Novartis, dona de marcas como Opti-Free e Air Optix, consolidou-se como multinacional independente, com vendas anuais de US$ 7,1 bilhões e responsável por quase um terço do mercado mundial de cuidados com os olhos.

No Brasil, onde a Alcon é líder de mercado considerando-se as áreas cirúrgica e de cuidados com a visão, a campainha da Nyse marcou uma nova fase no processo de cisão do negócio, hoje já integralmente alinhado à estratégia da “nova” empresa. Agora, o trabalho está voltado a colocar em marcha o novo plano estratégico, reincorporar áreas de serviço – como tecnologia da informação e folha de pagamento – que eram compartilhadas com a Novartis e definir, até o fim do ano ou início de 2019, as questões em aberto relacionadas ao dia a dia da operação.

“Inicialmente, o foco esteve voltado à independência da estratégia e da gestão, o que dará agilidade à tomada de decisão”, disse ao Valor o presidente da companhia no país, Luciano Marques. Assim, os serviços compartilhados continuarão a ser prestados por prazo ainda indeterminado, por meio de acordo com a Novartis, e a parcela da produção na fábrica do Butantã (bairro da capital paulista) que cabe à Alcon segue inalterada.

Já a sede administrativa da empresa de produtos oftalmológicos permanece dentro do conjunto de prédios da farmacêutica na zona sul de São Paulo. Mas haverá definição para cada uma dessas questões nos próximos meses. “O mais importante é que já seguimos 100% da estratégia da nova empresa”, acrescentou Marques.

Aqui, e globalmente, a meta da Alcon é tirar proveito da estrutura mais ágil e independente para acelerar processos de inovação e manter o ritmo de crescimento. A companhia não revela receitas por região, mas informa que o Brasil está entre os dez maiores mercados – nos últimos anos, as vendas locais cresceram “dois dígitos”, superando o desempenho mundial

Um indicativo de que a aposta no mercado brasileiro é grande, diz Marques, foi a inauguração, no fim de 2018 do Alcon Experience Center, primeiro centro de experiências em oftalmologia do Brasil e o quinto da Alcon no mundo. No país, 65% das receitas são geradas na área cirúrgica e os 35% remanescentes, em cuidados com a visão, incluindo lentes de contato, soluções e lágrimas artificiais.

O potencial de expansão no mercado doméstico é grande. Na área cirúrgica, o envelhecimento da população e a oferta de produtos inovadores abrem muitas oportunidades. Por ano, 1,5 milhão de cirurgias oftalmológicas são realizadas no país, a maior parte para correção da catarata. Em cuidados com a visão, enquanto 12% da população na Europa usa lentes de contato, esse índice no Brasil ainda é inferior a 1%.

Com sede em Genebra, a Alcon estreou em alta na bolsa com valor de mercado de US$ 29 bilhões. Pelos termos da cisão, os acionistas da Novartis receberam uma ação da Alcon para cada cinco papéis da farmacêutica detidos em 1º de abril. O laboratório suíço comprou da Nestlé o controle da empresa, em 2010, pagando mais de US$ 50 bilhões pelo total das ações. Seis anos depois, absorveu o portfólio de medicamentos oftalmológicos e manteve com a Alcon duas áreas, a cirúrgica (com vendas de US$ 4 bilhões em 2018) e a de cuidados com a visão (US$ 3,1 bilhões).

Fonte: Valor Econômico 10.04.2019

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