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Pharma InnovationVarejoExtrafarma sente desaceleração e evita guerra de preços

Extrafarma sente desaceleração e evita guerra de preços

O anúncio de mudanças no comando da Extrafarma, cadeia de farmácias da Ultrapar, ocorre num momento difícil para a controladora, e numa fase em que a varejista ainda busca se fortalecer no setor. Os resultados da Ultrapar decepcionaram o mercado dias atrás e, na rede de drogarias, a direção muda num período em que as vendas desaceleram e o lucro cai. O grupo também é dono da rede de postos Ipiranga e das empresas Ultragaz, Oxiteno e Ultracargo.

A partir de 1º de junho, o diretor-superintendente da Extrafarma, André Covre, com quase 15 anos na Ultrapar, e há três na liderança da rede, deixa a função e a companhia. Rodrigo Pizzinatto, de 41 anos, há quatro anos na Extrafarma, ocupará o cargo. É a primeira experiência de Pizzinatto à frente de uma varejista – ele está no grupo desde 2002.

Segundo balanço da Ultrapar publicado na semana passada, a Extrafarma teve lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) próximo de zero de janeiro a março, o menor desde que a rede foi adquirida, no fim de 2013. O prejuízo operacional atingiu R$ 17 milhões, uma alta de 70%. Os resultados foram afetados pelo crescimento mais lento nas vendas, verificado desde 2017.

Despesas operacionais maiores, esperadas quando há um movimento acelerado de aberturas de lojas, também pressionaram os números. A Extrafarma tem inaugurado uma média de 100 pontos ao ano desde 2016 – ao todo, possui pouco mais de 400 unidades no país.

A receita bruta da rede cresce mais lentamente desde 2017, apesar do ritmo acelerado de inaugurações, que tende a “puxar” esse indicador. A expansão das vendas foi de 14% de janeiro a março deste ano – havia sido de 28% nos três primeiros meses de 2017. Nos trimestres seguintes, foi de 18%, 16% e 13%. Também há nessa conta o efeito da base de comparação mais forte do início de 2017.

Outro indicador, a receita média por loja, apresentou queda. O analista Bruno Pascon, do Goldman Sachs, calculou em relatório uma receita média de R$ 1,27 milhão por ponto de venda da Extrafarma de janeiro a março, uma retração de 9% sobre igual intervalo de 2017. Já as vendas de lojas em operação há mais de um ano tiveram queda de 0,7%, versus um crescimento de 23% um ano antes. “O mercado desacelerou e todo o varejo tem sido afetado […] A linha de higiene e beleza tem sentido mais”, afirma Pizzinatto.

Isso ocorre ao mesmo tempo em que a rede tem que manter aberturas para ganhar escala e ampliar mais rapidamente a diluição de despesas. “São dois movimentos paralelos, de um negócio com menos vigor e de uma busca nossa por crescimento e escala”, diz Covre. Segundo ele, o plano de abertura de 100 pontos em 2018 está mantido. “Temos uma situação de caixa [como Ultrapar] que nos permite esse avanço, e sermos consolidadores num momento em que outras redes sentem mais”, afirma.

“Está todo mundo disputando venda e as margens estão sendo mais pressionadas [..] A expansão tem que continuar porque nosso ‘driver’ é escala. Sabemos que quanto mais rápido nos expandirmos, pior será o resultado, mas olhamos no longo prazo”, acrescenta Covre.

Sobre disputa por mercado, ele diz que “preço não é uma variável de diferenciação” da rede, indicando que não deve entrar em guerra de preços para manter volume vendido. “Entramos e nos posicionamos em patamares de preços médios na região em que começamos a operar”, diz Pizzinatto, ao negar que a empresa esteja perdendo margem nas novas praças. A margem bruta da rede foi 28,2% no primeiro trimestre, 31% um ano antes e 29% no fim de 2017.

Algumas dessas regiões são de alta competição, como o Estado de São Paulo, um dos três mercados que devem ser foco da companhia em 2018, ao lado de Pernambuco e Bahia, afirma o novo CEO.

Na quinta-feira, um dia após a publicação dos números da Extrafarma, o diretor de planejamento corporativo do grupo RD (Raia Drogasil), Eugênio De Zagottis, disse para analistas, em teleconferência, que há redes no mercado que “estão tentando acelerar o crescimento, mas seus resultados são muito, muito difíceis”. “Acabamos de ver ontem [dia 2 de maio] um concorrente publicando números com zero de ebitda, e com crescimento de receita abaixo do crescimento das lojas”, disse.

Em 2017, a Extrafarma aumentou em cerca de um terço a sua base de lojas, de 300 para quase 400, e no mesmo intervalo as vendas brutas subiram 18%.

Questionada sobre esses números, a Extrafarma afirma que tem ampliado o número de lojas maduras – pontos que passam a ter taxas de expansão menores – e tem ganhado participação de mercado num ritmo superior ao dos rivais. Pizzinatto diz que essa participação subiu de 7,3% no primeiro trimestre de 2015 para 10,5% no início de 2018, segundo a IMS Health. O ganho ocorre pela expansão acima do mercado, afirma. Em 2017, o setor cresceu 9%.

A Ultrapar informou a analistas na semana passada que está revisando para baixo investimentos nos negócios da companhia, sem detalhar a situação da Extrafarma. Analistas ressaltaram resultados da Ultrapar abaixo do previsto de janeiro a março, e um dos destaques negativos foi a rede Ipiranga.

Nessa teleconferência, a direção da Ultrapar foi questionada sobre a saída de Covre e se a expansão da Extrafarma está mais lenta que o projetado. A empresa negou que a saída do executivo tenha relação com o desempenho da rede. “É um sabático que decidi fazer [..] quero me envolver mais num projeto educacional de ajuda a crianças carentes”, disse Covre ao Valor.

Com a expansão mais focada em São Paulo, Bahia e Pernambuco, a empresa não projeta entrada em novos Estados neste ano e ressalta que pode analisar eventuais propostas de compra de ativos, mas que esse não é o foco central. Segundo apurou o Valor, múltiplos de avaliação altos no varejo têm impedido a aquisição de negócios pelo país. A Extrafarma chegou a avaliar a compra de toda a Brasil Pharma anos atrás, mas divergências sobre preço impediram o acordo. A empresa não comenta.

Fonte: Valor Econômico

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